Belém (25/04/2013) – O Ibama embargou 15,8 mil hectares de
desmatamentos ilegais, desde o início da Operação Onda Verde, em
fevereiro, no Pará. A área equivale a quase o tamanho da cidade de
Natal, no Rio Grande do Norte. Nas quatro frentes de fiscalização no
estado, os agentes federais ainda aplicaram R$ 77,6 milhões em multas,
apreenderam 18,1 mil metros cúbicos de madeira (cerca de 730 caminhões
cheios), quatro caminhões, quatro tratores, oito balsas e cinco
empurradores.
“Estamos no meio do novo período de medição do desflorestamento na
Amazônia, cujo calendário começou em agosto de 2012 e vai terminar em
julho de 2013. Estas regiões onde o Ibama atua apresentaram alertas de
desmatamento significativos, estão liderando o processo de degradação da
floresta no Pará e serão penalizadas”, explica o superintendente do
Ibama no Ibama no Pará, Hugo Américo.
Os embargos aplicados pelo Ibama nas frentes da Onda Verde em
Anapu, Uruará, Novo Progresso e, mais recentemente, Santana do Araguaia,
além de cessarem o avanço dos desmates em cada área fiscalizada,
impedem que os posseiros obtenham a regularização fundiária das terras
que reivindicam. “Mas também prejudicam os municípios porque a
destruição das florestas os levam à lista dos maiores desmatadores do
Ministério do Meio Ambiente, trazendo sanções como o corte dos
financiamentos oficiais”, diz Hugo.
No caso de Santana do Araguaia, a primeira frente da Onda Verde no
sudeste paraense, o município deixou a lista dos campeões em
desmatamento ano passado. Com a medida, passou a ter prioridade em
ações de incentivo econômico e fiscal, planos, programas e projetos da
União, principalmente os relacionados à consolidação da produção
florestal. “Mas se o município não mantiver os avanços, pode retornar à
lista. É necessário o envolvimento de todos para garantir os avanços já
conquistados”, defende o superintendente.
A Onda Verde em Santana conta com apoio de fiscais da Secretaria
Estadual de Meio Ambiente (Sema/PA). Em 20 dias de fiscalização, o Ibama
já aplicou R$ 3,9 milhões em multas e identificou um plano de manejo
florestal fraudulento envolvido em esquemas para esquentar madeira
ilegal na região. Além de embargado, o empreendimento florestal teve os
3,1 mil metros cúbicos de créditos de madeira que movimentou
irregularmente estornados no Sisflora.
No oeste paraense, o Ibama combate principalmente os danos
ambientais provocados pela pecuária ilegal, em Novo Progresso, e pela
exploração irregular de madeira, em Anapu e Uruará. Nestas regiões, que
lideram as apreensões de madeira ilegal, o instituto já realizou doações
sumárias de cerca de cinco mil m³ de toras para pequenos produtores
rurais de Pacajá, Anapu e Senador José Porfírio; 900 m³ para a
prefeitura de Uruará e dois mil m³ para a organização benemérita
Cáritas, em Belém. A madeira doada pelo Ibama deverá ser aplicada em
ações sociais, conforme os projetos apresentados pelas entidades ao
instituto.
As equipes de fiscalização da Onda Verde, que contam com apoio de
helicópteros, homens do Batalhão de Polícia Ambiental e Força Nacional,
prosseguem sem interrupção no Pará até o final de 2013. Novas frentes
poderão ser montadas em outros municípios, de acordo com os resultados
dos alertas de desmatamento do sistema
Deter, programa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em
parceria com o Ibama que monitora por satélite a Amazônia Legal.

Nelson Feitosa
Jornalista e Analista Ambiental
Assessor de Comunicação do Ibama no Pará
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