No ano passado, a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará)
fechou 65 abatedouros clandestinos de bovinos e bubalinos no Estado.
Este ano, 35 estabelecimentos já foram fechados. Somente na última
grande operação do órgão, realizada no mês passado, durante 15 dias,
foram interditados 20 matadouros que funcionavam de forma irregular em
dez municípios. O objetivo é acabar de uma vez por todas com a
clandestinidade nesse tipo de atividade. Para isso, o Estado planeja um
investimento de R$ 24 milhões na construção de 36 novos abatedouros
municipais. Além disso, continua o trabalho de verificação das denúncias
e a fiscalização regular.
“Em ações conjuntas com o Ministério Público do Estado e o Ministério
da Agricultura, nós estamos fazendo as fiscalizações nos municípios
onde nós temos denúncias de que existem estabelecimentos abatendo de
forma clandestina, ou seja, sem registro da inspeção estadual, federal
ou municipal. Constatado que o local não está credenciado, nós
interditamos, até que ele se adeque. Estamos saindo por regiões e
municípios variados. Essas fiscalizações, vão passar a ser rotineiras,
para o controle e combate a essa produção de carne informal, porque ela
pode causar prejuízo e dano à saúde humana, como transmissão de raiva,
brucelose e tuberculose”, declarou o diretor operacional do órgão,
Sálvio Freire.
De acordo com ele, por dia, a Agência recebe, em média, cinco
denúncias de abatedouros clandestinos, mas a maioria não é confirmada.
“Nós vamos em busca disso, para ver se realmente ocorre. Porque, às
vezes, a pessoa confunde o abate clandestino. Por exemplo, você pegar um
animal e abater na sua propriedade para o seu consumo e de pessoas da
tua família não é considerado clandestino. Ele passa a ser clandestino
quando essa carne passa a ter como destino a comercialização”, explica.
As fiscalizações são pontuais e sigilosas. “Porque se a pessoa sabe que a
Adepará vai chegar, ele não faz aquela ação irregular no momento da
fiscalização e a gente acaba não encontrando essa situação”, observa
Sálvio.
O diretor operacional da Adepará ressalta que o abatedouro
clandestino tem dois problemas. “Primeiro, como ele não tem uma
fiscalização oficial, a presença de um médico veterinário, não tem
registro, a população pode estar sujeita a contrair alguma enfermidade
causada por parasitas. Então, não é uma carne que pode ser confiável no
sentido de dizer que você está colocando na sua mesa um alimento
saudável, porque ele não tem essa inspeção. A outra questão é que quando
você abate de forma clandestina, também não tem o documento de trânsito
animal, que é a GTA (Guia de Trânsito Animal) e esse produto pode ser
produto de um roubo de gado, de um animal clandestino e você também vai
alimentando essa situação”, frisa.
Normalmente, o consumo da carne abatida clandestinamente acontece no
próprio município, principalmente em cidades menores. “Porque no
município de Belém, as redes de supermercados e açougues são bem
abastecidas. Não há necessidade, a carne que é consumida nas grandes
cidades do Pará, inclusive em Belém é uma carne de boa procedência. Pode
acontecer uma situação excepcional de uma feira ou alguma coisa que
precisa ser combatida pela vigilância.
Fonte: O Liberal
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